Crônicas de uma Sexta Branca nos Andes: Farellones e La Parva
Experimente a magia do início da temporada de esqui de 2026 no Chile. Uma crônica de Farellones e La Parva, com cães de resgate na neve, arquitetura de altitude e dicas essenciais de viagem.
PR
Equipe Editorial
1/14/20262 min ler


O sol mal começou a tocar os picos e, a 2.270 metros de altitude, o ar chega aos pulmões com uma pureza que só se encontra em alta montanha. É sexta-feira e a temporada começou cedo, surpreendendo a todos. Farellones desperta como um cartão postal alpino: a neve está "rica" (perfeita), como dizem os locais — crocante pelo frio da meia-noite e pronta para os primeiros entusiastas que trocaram o escritório pelas pistas.
1. O despertar da Fera Branca
Pela manhã cedo, a montanha já fervilha. Farellones, o balcão natural com vista para Santiago coberta de nuvens, exibe pistas de um branco imaculado. As crianças já preparam seus boias “Landy” para descer as colinas. O que antes era uma brincadeira improvisada, agora é uma grande atração turística — mas a adrenalina permanece viva e inalterada.
A subida é um desfile lento de motoristas cautelosos. Uma única mancha de água no asfalto pode ser uma armadilha de gelo negro a essa altitude. A intensa neve finalmente domina a paisagem na Curva 40, marcando a verdadeira porta de entrada para o coração do complexo de inverno.
2. Os ninjas de quatro patas: Elian, Rex e Galilea
Um dos encontros mais fascinantes desta manhã é com a Comissaria 53 de Lo Barnechea. Mas a atenção não está nos uniformes verdes, e sim nos “ninjas” de quatro patas. Elián, um carismático golden retriever, nos cumprimenta com seus óculos protetores.
Não é moda: o equipamento deles é pura engenharia de segurança. Usam botas especiais com sola de borracha para evitar queimaduras e escorregões no gelo. As capas institucionais se destacam contra o branco infinito, e os óculos protegem os olhos dos intensos raios UV da altitude. Estes cães são treinados para tudo, desde manutenção da ordem até evacuações aeromédicas pelo GOPE. São amigáveis, mas disciplinados; não executam sequer um “pata TikTok” sem ordem direta do adestrador.
3. La Parva: Pedra, Madeira e Infinito
Subindo a 2.680 metros (8.800 pés), chegamos a La Parva. A paisagem muda. Aqui, a arquitetura ganha protagonismo: construções que desafiam a gravidade, combinando a aconchegante madeira com a solidez da pedra. Percebe-se uma atmosfera mais íntima — um vilarejo onde chalés em formato de A convivem com prédios modernos que parecem suspensos nos penhascos.
La Parva tem um misticismo único. Por causa do terreno íngreme, é possível acessar um apartamento no terceiro andar diretamente do nível da rua. Este ano, a sorte ajudou: uma nevasca massiva em maio deu um impulso ao calendário de 2026.
4. Lei da Montanha: A segurança vem primeiro
Apesar da beleza, a montanha tem suas regras. Mesmo que o tempo pareça limpo para o fim de semana, levar correntes para neve é uma religião. Não se sobe sem elas quando a montanha decide que é hora.
Horário de tráfego obrigatório:
Subida: 08:00 – 13:00
Descida: 15:00 – 20:00
A mensagem é clara: desça com paciência. Congestionamentos fazem parte da experiência; leve-os com a mesma calma com que respira o ar puro do cume.
Veredito final: Um começo perfeito
A manhã termina com a montanha já coberta de neve. Resorts como El Colorado, La Parva e Valle Nevado abriram suas portas. Santiago pode esperar lá embaixo, na sua névoa cinzenta diária, enquanto aqui em cima, a 2.270 metros, a vida se vive em alta definição.

